Como já dizia Clarice, 'liberdade é pouco. O que quero ainda não tem nome.'.
Não sei o que tinha em mente ao montar tal pensamento. Mas sei o que penso quando o leio. Meus ventos de sonhos vão longe, e posso perceber que minha concepção de liberdade vai muito além do poder de ir e vir a hora que quiser. Vai além do saber que ninguém é dono de ninguém. Que pensamentos, mesmo que muito parecidos, são sempre singulares. Não é apenas estar livre. É sentir-se livre. Livre dos preconceitos e dos pessimismos, mesmo que estes estejam impregnados em nossa pele. Na nossa cultura. Sentir-se livre do medo da morte que nos persegue por qualquer beco que nos possa servir de válvula de escape. Sentir-se livre do que nos prende a expressão. Do que nos prende os lábios, a língua, a garganta, o pensar. Do que nos diminui o sentir e o agir. Sentir-se livre do que nos diz 'siga o fluxo'.. Sentir-se livre pra ir contra ele. Pra seguir seus instintos e gritar, mesmo que pra dentro, que a vida é boa. Que mesmo não havendo túnel, há luz.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
.'No better and no worse..'
Melancolia é uma coisa engraçada.. Não me faz rir com toda aquela vontade que uma boa piada faz, mas rir aquela risadinha desgostosa de quem demorou anos pra descobrir algo que estava embaixo do seu nariz todo o tempo.. Apatia também me faz rir assim. Deve ser prima da tal primeira.. Talvez essa risadinha seja porque descobri que sentir apatia é tão inútil quanto a coisa mais inútil dessa vida. Melancolia atrasa, traz pra baixo, dá preguiça e me impede de rir das besteiras que gosto de dizer. Apatia me impede de sentir aquele sabor doce que têm todas as manhãs, sejam as de sol ou as de chuva, de sentir aquele sabor amargo de uma tristeza nem tão profunda assim, mas que só vem pra nos mostrar que estamos vivos.. Melancolia faz enxergar que nem cachorro. Tudo preto e branco, no dia mais colorido do ano. Gosto de preto e branco, quase sempre. Gosto de melancolia, quase nunca. Mas mesmo tendo tantas desvantagens, de vez em quando, como o quase nunca, gosto de sentí-las. Não em momentos nos quais senti-las seria uma enorme idiotisse, mas naqueles que me vejo sozinha de mim, e posso sentir todo o peso do mundo levitar sobre o meu corpo. Só naqueles que posso pôr uma música no último volume e interpretá-la da forma que eu quiser, que ninguém vai se meter. Só naqueles quando não se tem mais nada pra sentir. Quando todo o furacão se foi, e vem a calmaria..
Melancolia é uma coisa engraçada.. Não me faz rir com toda aquela vontade que uma boa piada faz, mas rir aquela risadinha desgostosa de quem demorou anos pra descobrir algo que estava embaixo do seu nariz todo o tempo.. Apatia também me faz rir assim. Deve ser prima da tal primeira.. Talvez essa risadinha seja porque descobri que sentir apatia é tão inútil quanto a coisa mais inútil dessa vida. Melancolia atrasa, traz pra baixo, dá preguiça e me impede de rir das besteiras que gosto de dizer. Apatia me impede de sentir aquele sabor doce que têm todas as manhãs, sejam as de sol ou as de chuva, de sentir aquele sabor amargo de uma tristeza nem tão profunda assim, mas que só vem pra nos mostrar que estamos vivos.. Melancolia faz enxergar que nem cachorro. Tudo preto e branco, no dia mais colorido do ano. Gosto de preto e branco, quase sempre. Gosto de melancolia, quase nunca. Mas mesmo tendo tantas desvantagens, de vez em quando, como o quase nunca, gosto de sentí-las. Não em momentos nos quais senti-las seria uma enorme idiotisse, mas naqueles que me vejo sozinha de mim, e posso sentir todo o peso do mundo levitar sobre o meu corpo. Só naqueles que posso pôr uma música no último volume e interpretá-la da forma que eu quiser, que ninguém vai se meter. Só naqueles quando não se tem mais nada pra sentir. Quando todo o furacão se foi, e vem a calmaria..
segunda-feira, 15 de junho de 2009

Me procuram, me tocam, me sentem, me cheiram, me cantam, me ouvem, e mesmo tendo tudo isso ainda querem me ver.
Entro em casas, vejo gente, toco rostos, abraço corpos, e mesmo com tudo isso, ainda me ignoram.
Me procuram, me chamam, tentam me pegar, sem perceber que eu estou sempre alí. Ouço o que não querem dizer, e seco águas que não deveriam sequer molhar. Sou inspiração, sou dor, sou preocupação. Sou beleza, risos, sou dança. Sou bagunça nas folhas de outono, sou quem bate com a cara na janela. Empurro, levo, corro, caminho.. Te busco e te faço me seguir. E se não quiseres vir, eu fico contigo, rodando ao teu redor. Levanto teu cabelo, te desarrumo e te ajeito.. Só ventando.. Só seguindo..
sábado, 23 de maio de 2009
E como que pra fazer-se descobrir..
..E depois de um tempo que segundo eles, pudesse ter sido suficiente pra decorar tudo aquilo, fecharam os olhos e imaginaram aquela mesma cena vista de milhões de outros lugares. 'Quem dera todos os dias fossem iguais..'

..E depois de um tempo que segundo eles, pudesse ter sido suficiente pra decorar tudo aquilo, fecharam os olhos e imaginaram aquela mesma cena vista de milhões de outros lugares. 'Quem dera todos os dias fossem iguais..'
sexta-feira, 15 de maio de 2009
De vez em quando é daqueles de orelha à orelha. Noutras vezes são desses mais singelos e disfarçados.. Bem de
canto, como se fossem um crime..
canto, como se fossem um crime.. De vez em quando é dos que fazem doer os maxilares e as bochechas.. Mas noutras são dos mais bobinhos.. Que você pode ver só pelo brilho discreto do olhar..
Mas ultimamente.. E é esperado que seja por um tempo consideravelmente longo e satisfatório.. Têm sido daquele que te faz ver o sol mesmo o que o céu todo esteja nublado. Daqueles que dormem com você, que acordam com você, que saem contigo e não te deixam. Meus sorrisos..
terça-feira, 12 de maio de 2009
Hoje não há terceira pessoa. Uma outra se foi e por isso, talvez, a terceira tenha ido junto com ela. Explicações são desnecessárias diante de certos fatos. Atitudes valem mais que palavras, e uma não atitude vale mais que ambos. Aqui, hoje, há só uma fulana como tantas diante de seus diários.
A noite foi passada em claro, comigo tentando entender o porquê de ter sido assim. Depois das três, desisti.
"Aquilo é passado'' eu disse. Mas não era eu dizendo. Era a terceira pessoa. Não que essa terceira não seja parte da primeira que eu sou, só que como primeira, quero me pôr em primeiro lugar de novo. E para isso, os sonhos utopicamente realizáveis da terceira precisam cochilar. Talvez leve, talvez por longos dias e noites. Talvez cochile tanto que fique esquecida por uma dessas camas de pensamentos..
Mas se um dia voltar, dependendo do dia, da hora e do lugar, ela possa ficar ou se retirar.
Se você que lê puder olhar fundo, como um tal colecionador de olhares, vai saber que no meu, há uma terceira menina pulando e dizendo ''não vá que eu te quero aqui''.. Mas você não é, e por isso não sabe.
Por isso ela vai embora.
A utopia sempre perde pra racionalidade.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
''..Help me believe in anything, 'cause I wanna be someone who believes..''
Podia ser uma praia, um bar vazio com aquelas máquinas velhas que tocam músicas mais velhas ainda. Podia ser uma calçada que desse pra uma praça com banquinhos brancos e árvores podadas de forma arredondadas e aqueles postes de ferro moldado. Podia ser a vista de um precipício, de uma rocha muito alta que desse pro mar. Podia ser até um gramado bem mantido, descoberto pra que pudesse olhar pro céu sem nada que atrapalhasse suas interpretações das estrelas e de seus milhões de pensamentos.
Eram muitos. Turbilhões de palavras chaves e de sentimentos impedidos que surgiam e se materializavam em lágrimas. Não todas de tristeza. Não todas de alegria. Mas todas por um só motivo. E as nuvens se abriam como se ela as pedisse pra que fizessem isso. Mas não pedira. Pelo contrário até, preferia que elas ficassem lá e acompanhassem, deixassem o céu nublado como sua mente. Mas a lua estava perfeita e clara, e limpa e enorme. Tão enorme quanto sua vontade de gritar. Gritar qualquer coisa sem sentido, mas que a deixasse livre de tudo aquilo. Limpa pra começar de novo.
Mas a cidade estava cheia. A rua, movimentada, e sua garganta.. Cansada de soluçar.
"..Believe me, 'cause I don't believe in anything..''
Podia ser uma praia, um bar vazio com aquelas máquinas velhas que tocam músicas mais velhas ainda. Podia ser uma calçada que desse pra uma praça com banquinhos brancos e árvores podadas de forma arredondadas e aqueles postes de ferro moldado. Podia ser a vista de um precipício, de uma rocha muito alta que desse pro mar. Podia ser até um gramado bem mantido, descoberto pra que pudesse olhar pro céu sem nada que atrapalhasse suas interpretações das estrelas e de seus milhões de pensamentos.
Eram muitos. Turbilhões de palavras chaves e de sentimentos impedidos que surgiam e se materializavam em lágrimas. Não todas de tristeza. Não todas de alegria. Mas todas por um só motivo. E as nuvens se abriam como se ela as pedisse pra que fizessem isso. Mas não pedira. Pelo contrário até, preferia que elas ficassem lá e acompanhassem, deixassem o céu nublado como sua mente. Mas a lua estava perfeita e clara, e limpa e enorme. Tão enorme quanto sua vontade de gritar. Gritar qualquer coisa sem sentido, mas que a deixasse livre de tudo aquilo. Limpa pra começar de novo.
Mas a cidade estava cheia. A rua, movimentada, e sua garganta.. Cansada de soluçar.
"..Believe me, 'cause I don't believe in anything..''
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